Resíduo siderúrgico e conchas ajudam a limpar água e gerar combustível
Nanomaterial criado por cientistas brasileiros utiliza resíduos de conchas marinhas e de siderurgia para limpar água e produzir hidrogênio
Desenvolvimento de nanomaterial: cientistas da UFSCar e da UFRN criaram um material que degrada poluentes na água e gera hidrogênio utilizando luz solar;
Composição do sistema: a tecnologia combina hidroxiapatita de conchas marinhas com óxido de ferro da indústria siderúrgica;
Eficiência e limitações: o sistema eliminou 75% de corante na água, mas os autores afirmam que a tecnologia ainda não está pronta para produção em larga escala.
Em um novo estudo liderado por brasileiros, pesquisadores descobriram que um material produzido a partir de resíduos da indústria siderúrgica e de conchas marinhas é capaz de degradar poluentes na água e gerar hidrogênio (H₂), um combustível limpo considerado uma das grandes promessas para a transição energética.
Trata-se de um nanomaterial ativado pela luz solar. A nova tecnologia foi desenvolvida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os resultados foram publicados no International Journal of Hydrogen Energy em setembro.
A tecnologia foi desenvolvida a partir de uma heterojunção, que é a interface entre dois materiais semicondutores distintos. No caso do nanomaterial do estudo, foram combinados a hidroxiapatita (proveniente das conchas marinhas) e o óxido de ferro (proveniente da siderurgia).
Ao expor a combinação à luz solar, o sistema criado eliminou 75% do azul de metileno da água em menos de três horas. Esse corante, amplamente utilizado na indústria têxtil, pode prejudicar a saúde humana e afetar a fotossíntese de organismos aquáticos por bloquear a passagem de luz na água. Além disso, a junção demonstrou capacidade de produzir hidrogênio.
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