IBGE reconhece montanhas e transforma a leitura do relevo brasileiro
Nova classificação define critérios e inclui formações montanhosas em 14 estados, com base em relevo, altitude e características geográficas
Nova classificação: o IBGE e o SBCR reconhecem a existência de montanhas no relevo brasileiro;
Definição técnica: o critério estabelece elevações a partir de 300 metros, com topos agudos, encostas íngremes e continuidade espacial;
Divulgação dos dados: o Metrópoles informa que o IBGE deve publicar o mapa morfológico completo e a nota metodológica ao final de setembro.
Durante anos, a ideia de que o Brasil não tem montanhas foi repetida em salas de aula e materiais didáticos. O relevo do país era apresentado como formado apenas por planaltos, planícies e depressões. Uma nova classificação, porém, muda esse entendimento e reconhece oficialmente a existência de montanhas em território brasileiro.
A atualização foi conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em conjunto com o Sistema Brasileiro de Classificação do Relevo (SBCR). O trabalho estabelece critérios técnicos mais definidos e deve resultar em um novo mapa morfológico do país, com cinco categorias principais de relevo, incluindo as montanhas.
De acordo com o engenheiro geólogo Fernando Alkmim, professor da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a definição vai além da altitude isolada.
“Montanhas são formas de relevo com elevação mínima de 300 metros em relação às áreas ao redor, com topos agudos, encostas íngremes e continuidade espacial. Não podem ser formas isoladas”, explica.
Esse tipo de formação sempre existiu no Brasil, mas nem sempre foi classificada dessa forma. Ao longo de milhões de anos, o relevo passou por processos intensos de desgaste, o que reduziu a altura das estruturas originais.
“As montanhas brasileiras são antigas e foram sendo erodidas pela ação da água, do vento e por alterações químicas e físicas das rochas”, afirma Alkmim, que é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
O IBGE informou ao Metrópoles que os dados completos e o novo mapa devem ser divulgados no fim de setembro, acompanhados de uma nota metodológica que detalha os critérios adotados.
Mesmo sem o novo mapa oficial já publicado, especialistas apontam que essas formações são visíveis em diferentes regiões do país. Cadeias como a Serra do Mar, que se estende pelo litoral do Sudeste e Sul, e a Serra do Espinhaço, que atravessa Minas Gerais e Bahia, são exemplos citados.
Também entram nessa classificação áreas mais elevadas do Norte, como a região do Pico da Neblina, no Amazonas, ponto mais alto do Brasil. “Basta olhar um mapa do país para perceber essas formações”, diz o professor Geraldo Fernandes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também membro da ABC.
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